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De Sedentário a Maratonista

A motivação também se treina!

Dom | 24.02.19

Sobre a corrida, o ski... e o desporto em geral

José Guimarães

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Desde há 5 anos para cá que eu e a minha família escolhemos sempre uns diazinhos no inverno para ir para fora esquiar. Na minha alminha, esquiar está ligado a duas coisas que eu tanto gosto. Ou pensando melhor, talvez três. 
 
Uma delas é descansar. Faz-nos falta descansar. E na vida tão acelerada que levamos, todos devíamos abrandar um pouco. Mais vezes do que aquelas que fazemos. Não tanto na forma física, mas mais de um ponto de vista mental, pensar em menos coisas em simultâneo. Ser mais criativo. E fazê-lo mais devagar, com tempo de sobra e sem pressões.
 
Outra das coisas que o ski me proporciona é poder voltar a estar novamente na montanha... e vocês já sabem o quanto eu gosto de estar nestas altitudes. Neste caso, a esquiar, mas que também poderia ser a correr, ou simplesmente a contemplar.
 
Finalmente, sou apologista que o Ser humano, na sua forma mais básica, foi concebido para produzir trabalho (do ponto de vista da física), mais do que para estar sentado a produzir qualquer coisa num computador. E o praticar desporto, o estar em movimento, é algo que tem muito mais importância para nós do que aquela que lhe damos. Daí que, fazer férias a esquiar é para mim sinónimo de: primeiro, descansar a cabeça e, segundo, manter o corpo em movimento.
 
E aqui chego à triologia que queria chegar: a de dar descanso à cabeça, a de manter o corpo ativo e, de preferência, fazê-lo num ambiente natural e cru, com tempo para tudo. E neste sítio, as montanhas trazem-me sempre à lembrança a nossa real pequenez neste meio. E acreditem que esta conversa não é outra vez aquela mania que todos temos quando saímos do nosso país, de falar mal do que temos, e bem do que vemos lá fora noutros países. É que é com isto que consigo perceber porque é que as estatísticas ainda nos colocam na cauda do pelotão no que toda a atividade física, facto que parece tão contraditório, quando afinal vemos tantos ginásios a aparecer no nosso país, ou tantas pessoas na rua a correr e provas a acontecer todos os fins de semana. Então, o que se passa connosco, no nosso país em particular?
 
Uma das coisas que pude observar na montanha, enquanto esquiava, ou mesmo enquanto apreciava o silêncio de um simples café a cerca de 2.000m de altitude (é indescritível a paz que se sente), foi na quantidade e diversidade de pessoas que praticam a montanha. E reparem que não disse "que praticam ski". O que quero dizer então com praticar a montanha? Quero dizer o mesmo que praticar a serra (da Estrela, da Lousã ou do Caldeirão, tanto faz), ou praticar a beira-rio, praticar um percurso pedestre, ou mesmo praticar o comércio de rua. Que é o contrário de dizer, praticar o centro comercial, ou o sofá da sala. Nestes últimos dias vi pessoas a praticar a montanha com skis nos pés e roupas de cores berrantes, mas também vi pessoas vestidas de forma casual, que escolheram apanhar um meio mecânico para ir aproveitar a paz do tal café a 2.000m de altitude. Vi pessoas que escolheram ir dar um passeio no bosque, fazer um piquenique e proporcionar um pouco de ar fresco aos seus filhos (muitos deles bebés), ou levá-los a praticar uma modalidade desportiva. Vi também casais mais velhos (muitos) que me fizeram pensar que, quando tiver a idade deles, vou querer escolher estar ali a fazer o mesmo.
 
Não quero dizer no entanto que não façamos nada disto. Quero dizer é que ainda o fazemos pouco. Que ainda temos muito que enraizar dentro de nós esta coisa de sair à rua, de apanhar ar puro e sol. E se temos boas condições para isso (embora seja sabido que em certas coisas, bem que podíamos ter mais vontade de quem manda nisto tudo, é certo). E claro que, no fim de contas, é perigoso para a nossa saúde, e para a dos que vão herdar aquilo que lhes deixarmos, escolhermos enfiarmo-nos uma manhã inteira num centro comercial a fazer compras, quando podíamos escolher, simplesmente, ir passear. Mexer o corpinho. Ir cultivar em nós e nos nossos o prazer e o respeito pelo meio que nos rodeia. É tão simplesmente isso: uma escolha!
 
Volto assim para casa com a certeza que, no meio de tanto trabalho diário à volta de um computador, o meu presente e o meu futuro (e o futuro dos que me acompanham) estará sempre ligado a melhorar e a usufruir deste nosso pequeno "quintal", a fazer de tudo, grandes ou pequenas ações, para que não nos afundemos na espiral fácil que é apegarmo-nos demasiado ao supérfulo e ao volátil, esquecendo-nos das ligações que realmente nos prendem a esta vida. 
 
Porque como dizia um provérbio indígena que li a mais de 2.000m de altitude, "No dia em que o Homem tiver cortado a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, aí vai perceber que o dinheiro não é comestível!"
 

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